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Aracaju (SE), 20 de maio de 2026
POR: Rebeca Teixeira Marques
Fonte: Assessoria Estácio
Em: 20/05/2026 às 09:16
Pub.: 20 de maio de 2026

Ebola acende alerta global, mas risco para o Brasil segue baixo

Ebola acende alerta global, mas risco para o Brasil segue baixo - Foto: Assessoria Estácio

A declaração de preocupação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o avanço da epidemia de Ebola na República Democrática do Congo reacendeu o debate internacional sobre doenças infecciosas e preparação sanitária global. Embora o cenário exija atenção das autoridades de saúde, especialistas reforçam que não há motivo para pânico no Brasil neste momento.

O atual surto envolve a variante Bundibugyo do vírus Ebola, considerada menos conhecida pela comunidade científica e sem vacinas ou tratamentos específicos aprovados até o momento. O avanço dos casos levou a OMS a declarar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto nível de alerta sanitário antes de uma pandemia. Apesar disso, a própria entidade destaca que a situação ainda não configura uma pandemia global.

Segundo o professor da Estácio, farmacêutico e doutor em Ciências da Saúde, Bruno Araujo, o Ebola continua sendo uma das doenças virais mais letais já conhecidas.“O Ebola é uma febre hemorrágica viral conhecida pela alta letalidade. Identificado pela primeira vez em 1976, próximo ao rio Ebola, na atual República Democrática do Congo, o vírus ganhou notoriedade pelos surtos devastadores registrados no continente africano”, explica.

A doença costuma se manifestar inicialmente com febre alta, dores musculares intensas, fraqueza e sintomas gastrointestinais, podendo evoluir rapidamente para hemorragias severas e falência múltipla de órgãos. O especialista destaca que a preocupação atual está ligada justamente à variante Bundibugyo. Enquanto a cepa Zaire, responsável pelas maiores epidemias do passado, já possui vacinas e medicamentos empregados em surtos recentes, a nova variante ainda carece de arsenal terapêutico validado.

“O principal fator de preocupação é justamente a ausência de ferramentas específicas contra essa variante. Na prática, os médicos dependem apenas de medidas de suporte clínico, como hidratação intensa, correção de distúrbios metabólicos e estabilização respiratória. Em doenças tão agressivas, isso reduz consideravelmente as chances de sobrevivência”, afirma.

Os primeiros alertas surgiram no início de maio, após uma sequência de mortes suspeitas na província de Ituri, no leste do Congo. Entre as vítimas estavam profissionais de saúde, um dos principais indicadores de transmissão em ambientes hospitalares. Desde então, os números cresceram rapidamente e casos também foram confirmados em Uganda, elevando o nível de preocupação internacional.

Apesar do avanço do surto na África Central, Bruno reforça que o risco imediato para o Brasil permanece baixo. “No Brasil, não há registro de casos. O risco imediato para a população brasileira continua sendo considerado baixo, mas autoridades sanitárias acompanham a situação de forma contínua”, destaca. O professor explica que o Ebola apresenta um padrão de transmissão diferente de vírus respiratórios, como o coronavírus. O contágio ocorre por contato direto com fluidos corporais contaminados, o que dificulta sua disseminação em larga escala, embora exija extremo rigor nos protocolos hospitalares.

“Apesar do temor natural que a palavra Ebola provoca, não há motivo para pânico. Diferentemente de vírus respiratórios, o Ebola depende de contato direto com fluidos corporais para ser transmitido. Isso torna sua disseminação mais difícil, embora também exija rigor extremo nos ambientes hospitalares e nas equipes de atendimento”, pontua.

Para o docente da Estácio, o novo surto serve como um importante lembrete sobre a necessidade de vigilância epidemiológica e cooperação internacional.“O Ebola nos lembra que epidemias continuam sendo uma ameaça global em um mundo altamente conectado. Em poucas horas, um vírus pode atravessar continentes; em poucos dias, desafiar sistemas inteiros de saúde pública. A velocidade da resposta internacional e a capacidade de vigilância serão decisivas para impedir que essa emergência se torne uma crise ainda maior”, conclui.

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