Trump Versus Leão XIV? :: Por José Lima Santana
José Lima Santana*
O presidente “epsteiniano” Donald Trump é muito forte. Muito forte em arrogância, em imbecilidade, em alter ego, e, claro, em representar os torpes ideais da extrema-direita mundial. Além disso, claro, ele é forte por ser o presidente do ainda mais poderoso país do mundo, mas que não é o dono do mundo, embora o alaranjado presidente assim o pense, bem como seus compinchas.
Depois de sofrer o dissabor de não contar com o apoio da União Europeia para a sua estúpida ação militar contra o Irã, insuflado, pelo que se diz, pelo tenebroso primeiro-ministro de Israel, o tal Nini, ele, o alaranjado, voltou-se contra o Papa Leão XIV, seu conterrâneo, mas não seu vassalo.
Aliás, o Papa, como líder do maior segmento cristão do mundo e, ainda, como chefe de Estado do Vaticano, assim mesmo reconhecido pelo concerto das nações, tem o direito e o dever de pronunciar-se quando quiser e sobre o que possa dizer respeito à humanidade, sem pedir licença a ninguém, muito menos a um endiabrado político do mal, como o alaranjado.
Trump, o celerado, quer dizer ao Papa, líder de 1,4 bilhão de fiéis, o que ele deve falar ou fazer? Pois chegou a esse desplante. Como se diz em minha terra, e não só por lá, esse miserável da costela oca ainda teve a pachorra de postar em suas redes digitais uma ilustração esdrúxula com ele aparecendo como o salvador do mundo, bendizendo ou curando alguém. Bandidão! Os norte-americanos não mereciam esse sujeito a comandá-los. Todavia, elegeram-no. Aguentem. O mundo é que não deve aguentar essa figura bizarra e malévola. Tudo, porém, para os gringos é uma questão de poder. Nada mais. De poder e de sugar os outros: petróleo, terras raras e o mais que os possa interessar.
Bem. Um pouco lá atrás, o idiota secretário da guerra dos EUA, antes secretário de defesa, Pete Hegseth, disse que “os soldados americanos lutam por Jesus”, ao passo que Leão XIV replicou: “Jesus não ouve as orações daqueles que buscam a guerra”. Cirúrgico. O clima azedou. Esses imbecis da extrema-direita (como, no passado, o também horripilante Stalin e, possivelmente, outros do seu naipe, à esquerda ou à direita) querem dobrar todo mundo às suas malsinadas estripulias.
Jesus não precisa de ninguém para fazer guerra. Ele não aceitou o gesto de Pedro em desferir um golpe contra a orelha do servo do sumo sacerdote, no momento de sua prisão (Jo 18,10). Por que, agora, Jesus haveria de querer soldados guerreando, matando, destruindo, em seu nome? Só mesmo nas cabeças deformadas dessa gente miserável que pensa em dobrar o mundo aos seus nefastos caprichos.
O alaranjado presidente ianque disse que o Papa Leão é fraco, que não entende de política externa, de combate à criminalidade, de energia nuclear capaz de gerar bombas etc. Disse um amontoado de besteiras contra Leão XIV. Quis encurralar o Papa. Coitado! A resposta do sucessor de Pedro foi perfeita: “Não tenho medo do governo Trump”. E disse mais: “Eu falo em nome da cruz”. Leão XIV fala em nome do Evangelho de Jesus Cristo. É a missão dele.
Viajando à África, ao ser entrevistado no avião, o Papa disse: “Eu não vejo meu papel como político ou de um político. Eu não quero entrar em um debate com ele (Trump). Não creio que a mensagem do Evangelho é para ser usada de forma abusiva como algumas pessoas estão fazendo. E eu vou continuar a falar contra a guerra, em busca de garantir a paz, promover o diálogo e a relação multilateral entre os Estados, para encontrar soluções jutas para os problemas. Muitas pessoas estão sofrendo no mundo de hoje. Muitas pessoas inocentes são mortas. E eu acho que alguém tem que se levantar e dizer: existe uma maneira melhor de fazer isso”. Perfeito.
Uma onda de indignação global explodiu depois que o tresloucado alaranjado atacou o Papa, a começar pelo episcopado norte-americano. Líderes ao redor do mundo contestaram Trump. A Igreja Católica uniu-se em torno do seu líder, salvo, talvez, um punhado disforme de ultraconservadores. Por aqui, a CNBB fez o que deveria fazer, posicionando-se em favor de Leão XIV.
Por outro lado, o recado da China foi direto na ferida trumpista: “Não buscamos controlar o mundo, mas libertá-lo daqueles que acham que são donos dele”, disse o presidente Xi Jinping. Trump não é dono do mundo. Ninguém o é. Nem os EUA, nem a Rússia, nem a China. E o Papa, por sua vez, haverá de sempre defender a paz. Goste-se ou não.
Leão XIV deu de chibata em Trump. Deu-lhe chibatadas com a força do Evangelho. Tome! Mas, o presidente alaranjado e o seu vice, igual a ele ou pior, atacaram o Papa na última quarta-feira, dia 15, dia em que este artigo foi enviado ao Correio de Sergipe. Duas bestas decaídas. Devem continuar a atacar Leão XIV, mas, com certeza, não o calarão. NÃO O CALARÃO!
*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, da ASLJ, da ASE, da ADL e do IHGSE.