Case: Dispensação de Tacrolimo regularizada desde a sexta-feira, 25/08
Em meio às centenas de pacientes que se encontravam no Centro de Atenção à Saúde de Sergipe (Case) na manhã desta segunda-feira, 28, estava dona Edenalva de Jesus Barreto, 47 anos, moradora da cidade de Campo do Brito. Transplantada renal, ela foi à unidade em busca do Tacrolimo, o imunossupressor do transplante hepático, renal e da síndrome nefrótica primária (pacientes que aguardam transplante).
No Case, dona Edenalva recebeu o tratamento prioritário que todos os transplantados recebem e logo foi atendida, abastecendo-se do medicamento que está disponível na unidade desde a sexta-feira ao meio dia, quando chegou a remessa do Ministério da Saúde. “Sabemos que as falhas que ocorrem na dispensação do medicamento não é por culpa do Case ou do governo do Estado, mas do governo federal”, disse a usuária, que usa uma dosagem diária de oito unidades de Tacrolimo.
Coordenador do Case, Paulo Roberto Andrade Costa (Foto: SES/SE)
No caso do Tacrolimo, ao Case cabe apenas fazer a programação quantitativa de medicamento, encaminhá-la ao Ministério da Saúde e fazer a dispensação do produto quando ele chega à casa. Segundo Paulo Roberto, a programação quantitativa é feita para os próximos três meses e tem como base de cálculo os últimos três meses.
“Essa fórmula de cálculo é uma determinação do MS. Acontece que mês e mês isso vai gerando déficit no estoque porque minha base de cálculo são os últimos três meses enquanto que, a cada 30 dias novos pacientes vão sendo engajados na relação de usuários, que já soma 121”, explicou a farmacêutica do Case, Tais Andreza Costa, informando que somente deste medicamento o Case dispensa 17 mil unidades por trimestre. Ele salientou que no segundo trimestre deste ano o Ministério da Saúde não enviou o medicamento.
Problema é nacional
Quem também estava no Case na manhã desta segunda-feira, 28, para retirar o Tacrolimo foi o tesoureiro da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Estado de Sergipe, Mário Júnior Ferreira. Segundo ele, esse problema de atraso pelo Ministério da Saúde na entrega do medicamento não afetou apenas Sergipe, mas todo o país.
“Tenho amigos em vários Estados brasileiros e eles me informaram que estão enfrentando a mesma situação. Em São Paulo, por exemplo, eles estão dispensando apenas a metade do quantitativo de direito dos pacientes. Sabemos que a causa do problema está no Ministério da Saúde”, atestou.