Parceria amplia projeto de reabilitação para filhos autistas de policiais militares
Acordo entre Unit e PMSE garante atendimento especializado para crianças com condições neurodivergentes, unindo reabilitação, acolhimento familiar e formação acadêmica.
O projeto de extensão Adapte Mais, que envolve estudantes dos cursos de Educação Física e Psicologia da Universidade Tiradentes (Unit) em atividades de integração e reabilitação motora para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outros tipos de transtorno ou deficiência mental ou cognitiva, ampliou as suas ações a partir de uma parceria firmada com a Polícia Militar do Estado de Sergipe (PMSE).
Desde o início do ano, ele oferece 20 vagas exclusivas para o atendimento a filhos de praças e oficiais da corporação. Os atendidos passam por sessões semanais gratuitas de reabilitação e atividade psicomotora, enquanto seus pais e mães passam por ações de acolhimento e suporte psicológico.
A parceria entre as instituições foi firmada a partir da iniciativa do capitão Salomão Santos da Silva, pai de um adolescente de 15 anos atendido no Adapte Mais desde a criação do projeto, em 2017.
Ele conta que, no começo deste ano, o Comando da corporação criou o Núcleo de Apoio a Militares com Dependentes Assistidos, dentro do Programa PróVida PMSE, com o objetivo de fornecer apoio aos policiais militares que têm filhos autistas ou neurodivergentes.
“O pai viu a relevância desse projeto e levou para apresentar lá na Polícia Militar, e eles gostaram muito do projeto. Nós fizemos uma reunião e aqui alinhamos a quantidade de vagas que a gente iria disponibilizar para eles lá na PM, porque hoje eles estão identificando que existem muitos pais com crianças com deficiência e neurotípicas.
O nosso projeto é para a comunidade e sobrevive de alunos. Por isso, a contrapartida da polícia é que ela nos envie os alunos para serem atendidos”, afirma a professora Lisane Teixeira Dantas, coordenadora do projeto e docente do curso de Educação Física.
“A busca dessa parceria nasceu da preocupação do Comando da PMSE em assistir e acolher os pais atípicos. A criação do núcleo deu início à criação de políticas institucionais em busca das melhores práticas e instituições que tivessem um trabalho de excelência no atendimento a pessoas neurodivergentes.
Então, com a minha vivência dentro do projeto Adapte Mais, solicitei o apoio da coordenadora, a professora Lisane, que com uma visão humanitária e solidária, não mediu esforços e conseguiu junto a Unit as 20 vagas para dependentes de pais atípicos da PMSE”, diz o capitão Salomão, que coordena o núcleo.
Uma inscrição interna foi aberta na corporação para o preenchimento das vagas, com prioridade e respeito aos os casos que necessitam de maior suporte. Desde então, pais e filhos frequentam as sessões semanais do projeto, no Campus Farolândia.
Estudantes de Educação Física monitoram e aplicam os exercícios, jogos e atividades de reabilitação para as crianças atendidas, sob a orientação da professora Lisane. Já as mães, pais e responsáveis passam por intervenções voltadas ao cuidado com saúde mental, sendo acompanhadas por alunas dos estágios básicos de Psicologia, sob orientação do professor Roberto Luís Barreto.
Cuidado retribuído
Para a coordenadora Lisiane Teixeira, a ação reforça o papel social da universidade, envolvendo uma pauta atual e uma instituição pública consolidada. “O Adapte Mais é fundamental por transformar a realidade de famílias que frequentemente enfrentam a exclusão social e a falta de espaços adequados para o desenvolvimento integral de seus filhos.
Não é apenas um espaço de prática acadêmica para os nossos alunos, mas um elo vital com a sociedade. Atender às famílias da Polícia Militar, que cuidam da nossa segurança diariamente, é uma honra e uma responsabilidade que assumimos com excelência técnica e empatia”, afirma.
“A parceria com a PM acrescenta muito, porque a gente consegue abranger um público que cuida da sociedade e atua junto a ela. É uma forma de retribuir esse cuidado, até porque se essa criança que tem necessidades especiais estiver assistida e bem cuidada, o reflexo positivo é para a família como um todo. Os policiais são profissionais que já estão expostos a diversos fatores estressores.
E quando se tem também uma demanda familiar, que adiciona mais preocupações, sentir esse acolhimento e ter essa assistência pode também repercutir positivamente para os indicadores de saúde mental ligados ao trabalho”, acrescenta a coordenadora da área de Psicologia da Unit, professora Jamille Figueiredo.
Salomão Silva tem a expectativa é de que o conceito de “cuidado integral” proporcionado pelas atividades do projeto traga aos outros policiais os mesmos benefícios que ele e seu filho têm vivenciado desde que começaram a participar.
Ele destaca principalmente as melhorias no desenvolvimento físico e cognitivo, na desenvoltura com as Atividades de Vida Diária (AVD’s), nas habilidades sociais, no trabalho em equipe e na lida com diversas situações desafiadoras.
“O que posso atestar é a experiência pessoal que tive com meu filho, em todos esses anos de projeto, onde pude ter a alegria em ver o quanto faz bem para ele.
Essa é a diferença que eu espero na vida de meus colegas, pois eles estarão em ótimas mãos e com acesso a um projeto de excelência desenvolvido pela Unit, que cumpre o verdadeiro papel universal da academia em acolher a sociedade em necessidades que precisam de um suporte especializado, nesse caso em particular, através do trabalho de todos que compõe o Adapte Mais”, atesta o capitão.